top of page
oka-enlace-midiassociais-fullbanner.webp
canario-01.png

duo

“Uma junção inusitada”: é assim que definimos esta rara formação instrumental que sustenta o trabalho do Duo Viola & Cravo. Convidamos o público a conhecer uma combinação de instrumentos oriundos de ambientes socioculturais e históricos contrastantes: a viola caipira das modas e folias e o cravo barroco.

Nesta seção, propomos uma pequena imersão na história e relevância destes instrumentos para a musicalidade brasileira – que mostram que, na verdade, viola e cravo estão muito mais próximos do que os olhos – ou os ouvidos – podem ver e ouvir.

ornamento-enlace-flores.png
oka-enlace-imagens-118.webp

o Cravo

Ao mergulhar na musicalidade do período Barroco tanto na Europa, quanto no Brasil, é comum se conectar com o som dos acordes produzidos pelo cravo – um parente nem tão distante assim dos pianos e teclados tão populares na atualidade.

Instrumento considerado a grande referência musical do período citado, o cravo ganhou notoriedade e reconhecimento nesta época mas é, na verdade, bem mais antigo do que isso.

Sua criação é datada do século 14, na Itália, quando inicialmente foi chamado de clavicembalum. É considerado o mais importante e versátil instrumento de teclado desde o final do século 16 até o início do século 19, depois do órgão, e surge como conjunção de três elementos: o saltério, o teclado e o martinete-saltador (ou Jack). Sua particularidade maior vem daí: seu som é produzido através destes martinetes que pinçam – ou beliscam – suas cordas.

No Brasil, há relatos da presença marcante do cravo no século 16 especialmente no meio musical carioca, sendo tocado tanto por instrumentistas profissionais, quanto amadores. Em alguns locais eles chegavam a ser escutados ao lado do som das violas – que haviam recém chegado ao Brasil no mesmo período.

Apesar destes registros datarem do século 16, foi somente no século 18 que o cravo teve seu protagonismo reconhecido no Brasil, durante o período Barroco – importância esta tão grande que ele é, até hoje, associado à cultura deste movimento. 

Após este 'boom' de sua presença na musicalidade barroca e com o advento de novos movimentos artísticos e culturais no cenário europeu e brasileiro, o cravo caiu em desuso no século 19, sendo resgatado no século 20.

Junto com outros instrumentos antigos o movimento de musicologia histórica trouxe de volta o cravo às salas de concerto, abrindo campo tanto para a restauração de cravos antigos, quanto para a produção de novos exemplares a partir de cópias de instrumentos já existentes.

A estrutura e configuração dos cravos pode variar muito de acordo com sua origem. Os países com forte tradição cravística são Itália, Bélgica, Alemanha, Inglaterra e França – este último que é, inclusive, o local de origem do exemplar tocado pela cravista Patricia Gatti.

oka-enlace-imagens-121_edited.png
ornamento-enlace-flores.png
oka-enlace-imagens-120.webp

a Viola

Ao escutar o som da viola, você já deve ter vivenciado a sensação de ser transportado para o ambiente rural, em meio ao verde dos campos e à simplicidade e hospitalidade dos povos interioranos. Apesar da viola ter conquistado este espaço por direito e ser comumente reconhecida como “viola caipira”, ela não habita somente as ‘roças’ do nosso Brasil.

A viola na verdade vem conquistando amplo espaço em outras vertentes musicais, como a nova MPB, o ambiente acadêmico e até mesmo a música erudita. Este instrumento que normalmente é formado por ordens duplas – ou seja, duas cordas afinadas em uníssono ou no intervalo de uma oitava, compondo, portanto, cinco pares de cordas duplas –, possui uma gama de variações, podendo ter em alguns casos ordens triplas e até serem formadas por feições muito particulares, como a viola de cabaça - uma das violas tocadas pelo músico Ricardo Matsuda.

A viola chegou ao Brasil dentro das caravelas portuguesas. Ela integrou a produção musical renascentista europeia nos séculos 15 e 16 e era natural que fosse introduzida na cultura brasileira durante sua colonização. Aqui, nossa “ancestral direta” é a viola braguesa, oriunda da região norte de Portugal.

Este instrumento ganhou espaço em território brasileiro e foi por três séculos o principal acompanhamento dos cantadores, perdendo espaço para o violão na “cidade grande” a partir do início do século 17. Dali em diante, ela se fortaleceu no interior do Brasil e por conta disso é símbolo tão forte da musicalidade rural e caipira até hoje.

Um instrumento que foi importado, mas que ganhou novas particularidades aqui a ponto de tornar-se tão brasileiro, é exemplo nítido da diversidade e pluralidade existente em nosso país. Apesar de associada – com orgulho – ao povo caipira, vem ganhando cada vez mais notoriedade em outras linguagens musicais, o que faz dela tão importante para a preservação da cultura popular.

oka-enlace-imagens-122.webp
viola-02.png
ornamento-enlace-flores.png
bottom of page